Eduardo Lourenço Quinta-feira, Jun 18 2009 

Eduardo Lourenço

Foto por Nelson Garrido

Na autodescoberta de si próprio, Eduardo Lourenço deslindou Portugal e os seus autores. A cultura portuguesa enfeitiçou, desde cedo, o pensador, que soube encontrar o valor universal do povo luso. A meu ver, a pátria ainda acumula uma divida de gratidão com Eduardo Lourenço, pois ele continua a ser um dos resistentes, um dos poucos que ainda insistem em pensar Portugal.

De seguida, exponho uma das suas frases que mais gosto, de certo que compreenderão o motivo:

«Logo que nos aproximamos da linha tórrida do racional tornamo-nos tímidos, ficamos paralisados, perdemos a imaginação.»1

Eduardo Lourenço, entre outras coisas, um estatuto de exemplaridade.

1 LOURENÇO, Eduardo, O Labirinto da Saudade, Lisboa, Gradiva, 2007, p. 55.

Sophia de Mello Breyner Terça-feira, Jun 9 2009 

A vida é  sempre límpida, clara como uma manhã de Primavera passada em frente ao mar, quando lemos Sophia de Mello Breyner. A vida ganha uma dignidade, que nem sempre é achada quando se lê um livro, porque Sophia é ela própria poesia. A dignidade das palavras só se faz presente quando a mão de quem as escreve, nesse instante, é recta na sua intenção, quando o olhar de quem escreve, nesse instante, é nobre, de tal maneira que o pensamento, memória de palavras, se torna digno da folha de papel, digno da árvore a que se vai unir. Os poemas de Sophia reflectem o instante, que se torna eterno por ser real (ou ter sido).

Sophia, quando leio os seus poemas sinto que estou sempre em frente ao mar… Sophia… Eterna Sophia!

Ontem na casa Fernando Pessoa foi assim Sexta-feira, Set 26 2008 

Segundo João Tordo:

“Ontem na Casa Fernando Pessoa foi assim: o Carlos Vaz Marques moderou, com a sua elegante e melodiosa voz de rádio; eu falei nervosamente sobre “As Três Vidas”, reparando tarde demais que levara o mau par de sapatos, esburacados à frente, mesmo de chapa para o público; foi breve, e toda a gente ajudou; o Carlos Reis é um magnífico orador e cheio de graça, tendo contado umas histórias sui generis sobre o Saramago e o ano de atribuição do Nobel; o Miguel Real, na sua infinita disponibilidade, tinha tudo sistematizado por ano, nome e categoria de cada escritor que se viu influenciado pelo Saramago desde os anos 80; e Zeferino, editor da Caminho, falou brevemente sobre o que é esta coisa estranha de poder ler os livros do Saramago antes de toda a gente (bastard!…), mesmo antes das revisões finais. Disse que o homem é o sonho de qualquer editor: chega tudo muito certinho, precisa apenas de meia dúzia de correçõezitas finais antes de ir para a gráfica…a Ana Pereirinha, que estava sentada na primeira fila, até se deve ter rido, uma vez que os romances aqui do vosso amigo precisam de 6 milhões de alterações e oito ou nove birras antes de chegarem ao mercado. Depois ainda me deixaram falar um bocadinho de “O Homem Duplicado”, que é um dos meus Saramagos preferidos,”

Para ler mais no blog do autor, aqui.

Curiosidades:

João Tordo venceu, em 2001, o prémio Jovens Criadores, do instituto Português da Juventude. O seu mais recente romance As Três Vidas.

Efeitos do Nobel de Saramago – O debate na Casa Fernando Pessoa Terça-feira, Set 23 2008 

Dia 25 de Setembro, pelas 21h30, na Casa Fernando Pessoa: Quais os efeitos do prémio Nobel de José Saramago, nas letras portuguesas?

«São protagonistas do debate o professor universitário Carlos Reis, o crítico e escritor Miguel Real, o editor Zeferino Coelho (Leya/ Caminho) e João Tordo, que apresentará o seu mais recente romance, As 3 Vidas (QuidNovi). Moderação a cargo de Carlos Vaz Marques

Mais informações aqui e aqui.

Curiosidades:

- Espólio de Pessoa vai a leilão a 13 de Novembro

- Entrevista ao Prof. Carlos Reis – Reitor da Universidade Aberta

Lobo Antunes – Comendador da Ordem das Artes e das Letras francesas Sexta-feira, Set 19 2008 

Foto

O que pensar de Lobo Antunes? Para mim, Lobo Antunes é mais do que um obreiro da palavra. O que não quer dizer, porém, que tudo o que diz ou escreve tem valor; porque por vezes até me faz lembrar um menino a bater o pé e a dizer: Dêem-me já o “el gordo”!

Em Portugal é tido como um Deus e, de tanto lho dizerem, ele acreditou. O que é bom por um lado e péssimo por outro, já que, se não for cauteloso, pode cair numa armadilha (embora me pareça avisado) – esperemos que isso não aconteça, afinal é verdadeiramente merecedor do Nobel.

Mas, ontem, dia 18 de Setembro de 2008, as seguintes palavras de Lobo Antunes sensibilizaram-me mais que os seus livros até então:

“Julgo que de cada vez que um artista português é reconhecido em qualquer outro país, é o nosso povo, é o nosso país todo. Temos recebido tão pouco e merecemos tanto”, observou, ao receber as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e das Letras francesas.

De facto, senti algo que nem sempre noto ao ler as suas rebuscadas obras – uma sinceridade verdadeira. Posso estar enganado, mas Lobo Antunes,  naquele instante, pareceu-me ter sido tocado pelo mesmo anjo que tocou Fernando Pessoa enquanto escrevia os poemas de Mensagem, ou pelo mesmo anjo que inspirava os sermões do padre Viera e os esperançosos pensamentos do professor Agostinho da Silva.

Gostei do que ouvi e, a partir de hoje, vou estar mais atento às futuras opiniões e obras deste grande mestre da literatura portuguesa (e, por isso, da literatura mundial?).

Curiosidades:

- Mais sobre sobre esta homenagem a Lobo Antunes na Visão

- O olhar de Lobo Antunes na foto deste post e a sua semelhança com o de Agostinho da Silva, na serigrafia do post anterior (estarão ambos a olhar na mesma direcção?).

«Agostinho da Silva – Ele Próprio» Quinta-feira, Set 18 2008 

Serigrafia de Maria Keil

Agostinho da Silva confessou, com a determinação que tanto o caracterizava: «O que eu quero é que a filosofia que haja por estes lados arranque do povo português, faça que o povo português tenha confiança em si mesmo». Nesta frase denota-se bem a intenção alva do pensamento do professor.

Pelo centenário do seu nascimento, muitos dos seus livros vieram de novo à tona, adoro o Sete cartas a um jovem filósofo, ou a Vida de Francisco de Assis, e como admiro essa esplêndida pérola que é o Diário de Alcestes. Porém, o motivo deste post prende-se com outro livro: Agostinho da Silva – ele próprio.

Neste inédito, transcrito à letra de uma conversa filmada por António Escudeiro, podemos constatar a grande mestria do orador que era Agostinho da Silva. De facto, as suas frases, mesmo ditas na intimidade de uma conversa entre amigos, são sempre de uma perfeição quase irreal, capaz de deslumbrar pela sua fluidez e escolha das palavras.

Sinopse do livro:

“Agostinho da Silva – Ele Próprio é uma obra inédita, resultante da transcrição de um vídeo gravado por António Escudeiro nos anos 90. Este vídeo esteve, até hoje, “guardado no baú”, até que o Espírito Santo o fez ganhar asas, voar e encontrar a sua razão de existência. Segundo o desejo do mesmo, tanto o DVD incluído como as palavras do texto são completamente fiéis ao original: sem montagens, sem correcções.

Estas imagens e estas palavras são, assim, um reflexo de Agostinho da Silva, do seu espírito criativo e do seu pensamento original e criador, o testemunho de um dos maiores pensadores portugueses do século XX.”

Curiosidades:

A seguinte declaração de Eduardo Lourenço: “Conheci-o e apreciei-o, embora sempre muito intrigado com a sua figura misteriosa, mas foi talvez a pessoa mais extraordinária com que alguma vez me deparei – não era parecido com ninguém excepto com ele próprio”*

* Retirado daqui.

Novo livro de Herberto Hélder Quarta-feira, Set 17 2008 

Este mês a editora Assírio & Alvim vai publicar “A faca não corta o fogo – súmula & inédita”, o novo livro de Helberto Hélder.

Curiosidades: O autor de Photomaton & Vox é «considerado pelos seus fiéis seguidores como o maior poeta português, a seguir a Pessoa.»*

* In Gentil, George, Robert Béchan, “La Littérature Portugaise”, Paris: Éditions Chandeigne, 1995, p. 232.

Mais desenvolvimentos sobre os novos livros de autores portugueses no Público


José Saramago, mais um blogger entre nós Terça-feira, Set 16 2008 

Agora que o escritor português, Prémio Nobel de Literatura (1998), deu por terminado o seu mais recente livro  A viagem do Elefante, a fundação José Saramago, presidida pela sua esposa Pilar del Río, enuncia a existência de um caderno muito especial, O Caderno de Saramago, um blog onde o escritor se predispõe a escrever «o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice».

Curiosidades: António Caetano Egas Moniz foi o primeiro Nobel português. Recebeu o Prémio Nobel da Medicina em 1949 pela introdução de uma técnica neurocirúrgica inovadora: a lobotomia.

Hello world! Sábado, Set 13 2008 

Este é o meu primeiro post nesta nova aventura. Sejam felizes aqui.